Hermó

Espaço de reflexão Hermógenes de Castro & Mello

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Artigo nº 967 - 29/11/2018

Militares latino-americanos, prós e contras.

Lembro do dia um helicóptero da FAB cruzou a minha reta final num pouso em Jundiaí, São Paulo, a menos de 20 metros e quase me estatelo nos eucaliptos da cabeceira da pista.

Estava pilotando um planador, por razões óbvias tem prioridade no pouso.

Deu tudo certo, apesar do susto e quase descontrole, entretanto fiquei revoltado com aquela maluquice perigosa.

Segui a pé até o pátio onde pousavam os militares, um quadrado grande ao lado da pista. E perguntei aos tripulantes em seus macacões e divisas, educadamente, a razão haviam feito aquilo, perigoso para eles também.

A resposta foi militar, ao jovem piloto: "Sai daqui ou apanha, idiota!".

Anotei o prefixo dos ditos, fiz carta reclamando ao DAC (órgão militar de controle aéreo civil, à época).

Era 1973, jamais responderam. Ingênua ilusão.

Mais adiante, "alistei-me" na Força Aérea para ir compulsoriamente à reserva, por ser condutor de "aeronave sem propulsão", assim denominavam.

Quartel da Quarta Zona Aérea, no Cambuci, nessa capital...

Na calçada, chuva, um PA (polícia da aeronáutica, tipo cães de guarda para os próprios milicos) escolheu a mim ("vem cá, ô playboy branquinho") para dar "uma arrumada numa caixa de pitucas" ao lado da portaria, "para ir aprendendo como é."

Me recusei; apontou uma metralhadora e disse "não tem problema matar branquinho desobediente aqui".

Um superior do esse de fato idiota viu a cena, interferiu, pediu para nós "pararmos com a brincadeira" (!) e ficou por isso.

Recebi meu papelzinho e nos próximos 5 anos, em dezembro, ia pegar um carimbo, a provar que eu existia e em caso de uma guerra contra a Argentina ou talvez Bolívia, poderia atacar com um planador sem motor.

Talvez lançando panfletos sobre Santa Cruz de la Sierra, instando os incautos a desistirem de atacar a pátria amada, salve, salve.

Prós pelos caras: pouco, talvez como auxílio em missões de resgaste marinho ou enchentes. Contra: muito, militares latino-americanos primam pela truculência, autoritarismo exacerbado, ingerência política, ditadura, tortura e mortes sem justificativa a não ser devaneios políticos malucos, de esquerda ou direita.

Regra: fique longe deles.

São assim, perigosos para os civis.

Militares chilenos, ao lado dos argentinos os mais violentos contra civis desarmados. Com seu peculiar "Stahlhelm" alemão, até hoje...

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