Hermó

Espaço de reflexão Hermógenes de Castro & Mello

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Artigo nº 956 - 16/08/2018

E então surgiu o trôco...

A reunião foi em hotel de primeira linha. Presentes os editores e muitos sócios-proprietários dos mais importantes veículos de comunicação daquela grande nação. Famosa pela liberdade de imprensa, ancorada em sua constituição.

Apesar dos apoios variados entre os dois grandes partidos, tendendo a equilíbrio, a reunião trataria dos ataques a eles, generalizado, pelo dirigente máximo da nação.

Que classificava investigações de cunho jornalístico ou revelações preocupantes sobre seu autoritarismo primário como falsas notícias. Se incomodavam ou apresentavam risco, bradava serem apenas grandes mentiras. Goebbels se entusiasmaria com seu fervor.

Curiosamente fazia disso forma interessante de ocupar espaços gigantescos na cobertura de sua gestão.

Atos pouco diplomáticos com ditadores despóticos, acusações vazias a servidores públicos ligados à oposição, contratação de prostitutas e pagamentos para seu silêncio.

Não havia veículo de comunicação, mesmo de oposição ao sujeito, a não enxovalhar suas páginas com as bravatas agressivas.

Porém percebeu-se lentamente o público se afastava da leitura, os assuntos não interessavam mais. Como surgir vergonha coletiva terem eleito aquela exótica figura, quase carnavalesca. Principalmente o público feminino, a perceber o tratamento machista xenófobo do dirigente estar em desacordo com a evolução da mulher naquela sociedade, principalmente filhas e netas de imigrantes.

E a imprensa, as televisões e as agências de notícias reunidas naquele hotel, sugeriram simplesmente boicotar publicações de qualquer natureza sobre o sujeito. Nada mais seria divulgado. Não haveria mais fotos, videos, coberturas, acompanhamentos ou entrevistas coletivas.

Nada.

E seria o toque na ferida aberta do bizarro personagem: seu vício era a mídia, sua imagem, seu desejo de expor-se. A síntese da egolatria autocrática.

Duas semanas após jogou a toalha: em reunião secreta com a imprensa e redes pediu cobertura, desejava rever suas imagens pelo mundo. Em contrapartida não haveria mais agressão e rotulação ser noticiário falso, todos jornalistas seriam atendidos e respeitados, não haveria ataques...

A imprensa concordou, era a volta ao bom relacionamento com dirigentes, tradição por lá.

Enfim, resumo de uma fantasia; jamais ocorreu ou ocorrerá.

Todavia seria ato interessante, principalmente em país onde não há imprensa oficial, penso seja o caso por lá.

E então, no escuro, sem imagens, ele jogou a toalha. Seu ego não poderia sofrer...

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