Hermó

Espaço de reflexão Hermógenes de Castro & Mello

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Artigo nº 31 - 12/07/2008

Mozart

Uma das atividades que traz maior alegria é a música. Poucos são insensíveis a ela. A popularidade é quase total, entre todos os povos deste planeta. Encantados que somos com os pássaros, a quem de alguma forma nos autorizamos, com a música, a copiar.

Comum, no reino de homens e animais, este, digamos, mimetismo. Entre os pássaros imagino seja algo ligado ao momento da reprodução, da disponibilidade.

Fazemos similar, de alguma forma. Até a conseqüência da música, a dança, me parece ser instintivo entre os pássaros, o frete. (Com as devidas licenças: frete é regionalismo baiano, corruptela de flerte, portanto aplicável aqui. O reino da música no Brasil tem sua capital na Bahia.)

Após a Idade Média, a música torna-se algo de estudo, de letra, de cientificidade e, adiante, recebe termos: clássica, barroca, medieval, popular, de dança e assim por diante.

Com seus gênios, que admiro. Muito, começando por W. Mozart. O homem era extraordinário, talvez o músico mais completo da nossa história. Reunia a disposição e capacidade de compor com a magia de conduzir; e às vezes executar. Mestre que era em cravo e piano. De sua obra a que mormente impressiona pela singeleza, simplicidade e encanto absoluto, com seus quatro movimentos em perfeita cadência, a deixar todos quietos, como a ouvir pássaros, penso ser a Serenata Noturna.

No modesto conceito a mais perfeita obra do que chamamos música clássica. É a conhecida popular composição de Mozart, oficialmente titulada "Serenata para violinos, viola e baixo, KV 525", com o sufixo “Uma pequena música noturna”, do original alemão. Era comumente apresentada à noitinha e ao ar livre. Foi terminada a composição em Viena, no ano de 1787, ao mesmo tempo o fabuloso Mozart compunha a ópera Don Giovanni.

O segundo movimento da Serenata perdeu-se na História; fico imaginando qual belíssima parte seria, pouquíssimos tendo ouvido. Ou não, a descompor o singular conjunto?

Um minueto, talvez? Bem, não saberemos.

Sua habilidade descrevia Mozart assim, para finalizar:

"Quer saber como eu componho? Posso dizer-lhe apenas isto: quando me sinto bem disposto, seja na carruagem quando viajo, seja de noite quando durmo, ocorrem-me idéias aos jorros, soberbamente. Como e donde, não sei. As que me agradam, guardo-as como se tivessem sido trazidas por outras pessoas, retenho-as bem na memória e, uma após a outra, delas tomo a parte necessária, para fazer um pastel segundo as regras do contraponto, da harmonia, dos instrumentos, etc. Então, em profundo sossego, sinto aquilo crescer, crescer para a claridade de tal forma que a obra mesmo extensa se completa na minha cabeça e posso abrangê-la de um só relance, como um belo retrato ou uma bela mulher... Quando chego neste ponto, nada mais esqueço, porque boa memória é o maior dom que Deus me deu."

Para ouvir a "Eine kleine Nachtmusik" ou a Serenata Noturna, clique aqui

Mozart, raro gênio. Talvez o maior da música. Ilustração em "risco de prata" ou "bico de prata" de 1776, por Doris Stock.

Já mais maduro, próximo de morrer, uma pintura de 1791.

Comentários

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hermógenes - 26/11/2007 (08:11)

Muito correto, por sinal a obra dele deixa transparecer alguma simbologia dos "Freimaurer". Uma especulação diz que a sua última obra, inacabada,o "Requiem", foi encomenda de um companheiro de loja maçônica.

Gil - 24/11/2007 (17:11)

Além de ser brilhante na sua arte, foi um grande pedreiro, iniciado nos Augustos Mistérios, Ilustre Maçom.