Hermó

Espaço de reflexão Hermógenes de Castro & Mello

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Artigo nº 1027 - 09/02/2021

A herança

Por Helena Iaconis Sevastopoulus, de Pátras, Grécia

-"Bom dia Senhor Advogado! Está com boa aparência hoje, disposto."

Helena de fato observara o seu empregador aparentava maior ímpeto em realizar as coisas, saindo cedo para ir ao gabinete. Havia até comprado um novo automóvel. E, sem solicitar, tanto ela quanto sua assecla tailandesa receberam aumento.

Segundo o doutor, pagamento por obra de grande causa ganha, permitindo a maior generosidade.

Sentou-se à mesa da cozinha onde passavam boa parte do tempo e iniciou a descrição do caso.

Queria falar sobre o tema.

Certa senhora muito bem casada em Atenas, mas também com fortes ligações a Pátras, por infortúnio tornou-se viúva. Porém seu desejo, e para tal o contratou, era inusitado.

Nada queria herdar.

Seu falecido marido tinha filhos do primeiro casamento. Pessoas adultas que não a apreciavam, pois acusavam-na de ter destruído o matrimônio de sua mãe.

O advogado da outra parte já havia preparado "dossier" sobre o tema, a brigar terrivelmente pela herança, com as piores acusações e adiantado o tema ao colega, para tentar composição anterior a um julgamento. Valor apreciável, o falecido era armador.

Não dos grandes, todavia de porte robusto.

A grande surpresa na audiência sobre a distribuição dos bens deixados pelo falecido, foi quando o Senhor Advogado após ouvir toda a narrativa dos filhos através do outro causídico, ao juiz sugerir a réplica para tal, simplesmente ler e entregar a declaração desistindo a viúva de herdar valores ou dívidas, se houvesse. De qualquer proporção, materiais e imateriais. Direitos, posses, locações, cartas de crédito e tudo se imaginaria um rico armador mantivesse.

Nada queria, assinado estava.

Contou-lhes o juiz insistia com a viúva ser seu direito à herança. Essa porém foi determinada: nada queria.

E assim feito.

Helena porém perguntou, se a viúva nada havia recebido, porque pagara tão bem a ele.

Respondeu que ao contrário do que imaginavam os filhos do rico dono de navios, em segundas núpcias havia casado com a cliente do doutor, muito rica. E não sabiam.

A viúva era de outra família de armadores, maiores. O que herdaria era até insignificante diante de sua fortuna. Além da recomendação dos dirigentes do grupo a que ela era ligada, declinar de tudo.

Incluindo-se dívidas.

Pois seu falecido marido era um adepto de grandes financiamentos para modernizar frotas. Enfim, trabalhava com valores de terceiros. Sempre um risco maior. E maior agora, com sua ausência.

Concluiu o Senhor Advogado que a viúva, visivelmente aliviada e encantada com os rostos de surpresa dos filhos e advogados do falecido, havia feito o melhor.

-" E vejam só meninas (assim as chamava) : além dos bons honorários ainda recebi um convite para almoço. Na varanda do Astir Hotel, com a linda vista! Com direito a camarões com alho, meus prediletos! "

Pátras, da boa comida à linda paisagem.

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