Hermó

Espaço de reflexão Hermógenes de Castro & Mello

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Artigo nº 971 - 17/05/2019

Alexander Borodin

No início de 1833, um príncipe armênio de 57 anos chamado Luka Spanovich Gedianov se apaixonou por Avdotya Konstantinova Antonova, uma russa de 24 anos de idade de São Petersburgo.

Eles estavam destinados a permanecer "amigos" por toda a vida, não poderiam casar-se, pois as rígidas estruturas de classe da época impediriam qualquer príncipe de se casar com uma plebéia.

Foi um tanto inconveniente quando em 12 de novembro daquele ano, seu filho nasceu.

Alexander Porforyevich e, como sobrenome, pegaram-no emprestado de um dos servos de Luka, um sujeito chamado Porfiry Borodin.

O jovem Alexander cresceu em lar habitado por mulheres altamente inteligentes - sua mãe e suas amigas; e familiares.

Ainda adolescente, Borodin era brilhante. Tocava violoncelo, mas talvez fosse mais adepto da ciência, na qual adorava fazer experiências, inclusive complexos fogos de artifício. Todavia a ciência venceu a música e, em 1850, matriculou-se na Academia Médico-Cirúrgica de São Petersburgo onde, com seus 20 anos, começou o que se tornaria carreira estelar em pesquisa química, notável principalmente por seu trabalho sobre síntese orgânica.

Seu interesse pela música permaneceu, inspirado primeiramente por sua amizade com o jovem compositor revolucionário, excêntrico e durão chamado Modest Mussorgsky, e depois por se apaixonar por uma virtuosa do piano, de 29 anos, chamada Ekaterina Protopopova - sua futura esposa.

O momento decisivo na carreira musical de Borodin veio em 1862, quando conheceu Mily Balakirev, o pai fundador da moderna música russa.

Suas histórias de culturas exóticas a leste e a música que emanava, incendiaram a imaginação musical de Borodin.

Praticamente destreinado como compositor, mas com Balakirev como mentor, Borodin começou a compor uma sinfonia no estilo nacionalista, não imitando as tradições austro-alemãs, mas construída sobre a vibrante música e cultura do Império Russo.

Nesta altura, Borodin era um dos principais professores e investigadores da Academia Médico-Cirúrgica, pelo que demorou cinco anos a completar as sinfonias.

Provou ser um trabalho impressionante, cheio de melodias inesquecíveis e intensa escrita orquestral carregada de drama. E aí estava a essência do estilo acabaria por transformar Borodin em um dos compositores mais amados da história.

Ekaterina ficou doente, caso terminal

Borodin assumiu o papel de cuidador, continuando a seguir sua carreira acadêmica, onde era respeitado e amado não apenas por sua pesquisa inovadora, mas também por seu encorajamento e orientação de colegas.

Estava exausto a cuidar da esposa e filha adotiva, mas pressionado, em 27 de fevereiro de 1887 participou de festa onde aparentemente estava em boa forma, dançando e brincando com seus companheiros de viagem.

Naquela mesma noite, logo após a meia-noite, teve ataque cardíaco fatal. Tinha 53 anos.

A musicografia hollywoodiana o copiou descaradamente, algumas peças suas incorporadas em filmes bobos como "ET" de Spielberg (o "compositor" da trilha questionado sobre o plágio descarado de "Nas estepes da Sibéria", saiu-se com "ser uma homenagem" a Borodin) ou até melodias famosas, cantadas por Tony Bennet (na verdade o ítalo-americano Antonio Benedetto), como "Stranger in Paradise" são cópias descaradas das melodias de Borodin.

Falecido e pouco conhecido fora da antiga União Soviética, era um maná musical copiado com intensidade pelos gringos.

Plágio é comum, é dos homens.

Somos assim.

Para ouvir um tantinho copie o link aqui e o Youtube lhe trará as maravilhas de Borodin

youtu.be/ZaO9FBtDzyk

Alexander Borodin, talvez dos maiores compositores russos. Mas pouco lembrado.

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