Hermó

Espaço de reflexão Hermógenes de Castro & Mello

Deutsch Version hermo@hermo.com.br

Artigo nº 15 - 12/07/2008

Livro-arte, experiência neoconcreta

Em escrevendo sobre a Cidade Maravilhosa, cito uma “excelente oportunidade de ir”.

Sem discriminar. Pois lá vai: fui ao lançamento do livro Experiência Neoconcreta (2007, Editora Cosacnaify), em interessante livraria do Leblon (uma vergonha, eu esqueci o nome... mas me redimo mais adiante).

Deslocar-me a outra cidade pelo livro e pelo poeta, que imagino é o maior vivo entre nós por aqui, foi um deleite.

Assisti a palestra, onde Ferreira Gullar descreve a experiência neoconcreta, um movimento artístico genuinamente brasileiro, fugindo dos padrões europeus. Cita com verve insuperável a deliciosa passagem da construção do poema enterrado, mas que não alongo, pois seria injusto com os editores do livro, a “roubar trechos” e verdade seja dita: o livro deve ser comprado, pois há tanto mais de arrebatador nele que surrupiar passagens por aqui, seria uma safadeza descomedida.

De fato, o livro como objeto, o próprio poeta nos mostrou, é uma obra de arte. Merece estar em qualquer estante de livros. Pela beleza, um trabalho magnífico onde a parte gráfica, lastreada suavemente no catálogo original da “experiência neoconcreta” e sua primeira exposição, deu o tom no projeto de Luciana Facchini.

Englobando os fac-similes dos catálogos originais, compondo uma obra em três livros.

A certa altura, o grande Gullar fala da poesia neoconcreta e seu sumarizado. Com abandono, subseqüente, em dúvida se poemas de uma única palavra seriam de fato palatáveis.

Discussão complexa. Mas apreciável a questão; poemas sumários, assim como execuções sumárias às vezes são incompreensíveis. Para nós leigos, os não-poetas.

Verde verde verde

verde verde verde

verde verde verde

verde verde verde erva

peço a licença de citar.

Neoconcreto; explica o mestre que o poema descreve sua juvenil observação em Alcântara, no Maranhão. A cidade abandonada tem em seu centro uma praçota e nela o verde, a tudo invadir. Verde, verde e verde. Grama rala, mas em um canto, certo arbusto, erva!

Portanto a descrição do giro visual é a poesia: o andante é verde; o sustenido a erva! Claro, diante da explicação do poeta.

Que infelizmente não podemos portar a tiracolo, a explanar. Entendo portanto um tanto o abandono da prática poeta neoconcreta.

Somos assim, queremos entender.

O livro-arte.

O poeta Ferreira Gullar em noite de autógrafos.

Explicando o neoconcreto, com primor. Palestra em 19.10.2007

Michel Gorski, um grande apreciador da arte neoconcreta e do Rio de Janeiro na noite de autógrafos com Gullar.

Comentários

(envie um comentário)

Thomas - 26/10/2007 (10:10)

E a erva é sempre a erva, no es verdad, chica?

Luiza - 25/10/2007 (20:10)

O verde é sempre O verde....

Hermógenes - 25/10/2007 (12:10)

Co-editora do livro, a Julia me informa que o livro foi lançado na "Livraria de Travessa do Leblon", por sinal das melhores que já vi.

- 25/10/2007 (11:10)

Hermó, depois do livro-arte, chegaremos ao site-arte? Ao blog-arte? Quiçá este Espaço de Reflexão não seja um laboratório dessa verdadeira Experiência Neocibernética??! Saudações!

hermógenes - 25/10/2007 (11:10)

Minha verve poética não passa de uma "batatinha quando nasce..."!

- 25/10/2007 (10:10)

Caro Hermó, queremos conhecer a sua verve poética. Saudações.