Hermó

Espaço de reflexão Hermógenes de Castro & Mello

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Artigo nº 14 - 12/07/2008

Justa homenagem

Vejo anúncio de novo autifite da Gloriosa, nossa representante aérea por tantos anos, marco brasileiro devidamente morto-matado pelo corporativismo exacerbado, inépcia, inércia e esperança que jamais se acabaria, por justamente ser este símbolo.

A competição às vezes de preços ínfimos cortou-lhe as asas. Mas guardou-as, remendou e hoje as veste. Revive-se o renome, porém com custos de mínimo orçamento e os comuns serviços desinteressados, alinhando a renomada, mas pouco eficiente falecida e revivida, àquilo o mercado hoje oferece: muitos atrasos, aperto e, dizem, insegurança. Com preços variando conforme a demanda. Capitalismo, claro e clássico. Faz parte.

Somos assim.

Sob a égide de governo, em preferir vê-la morta; dizendo ser questão privada. E certo populismo oportunista, a informar seus eleitores não viajarem em aviões, portanto não seria importante nem adequado ajudar.

Com razão, não é tal necessário. Governos devem ser para o público e não para companhias ou grupos. Coisa que ignoram, óbvio. Governos, sabemos, são tão aproveitadores quanto a tal iniciativa privada. Os tempos de Gandhi já foram; Fidel, ícone, discretamente promoveu hotelaria e turismo sexual. Bush ajuda muito as petroleiras e fabricantes de armas. Construtora ibérica ganhadora da privatização das rodovias federais não tem o que reclamar do governo da estrela.

Diante disto, a viação aérea dos gaúchos, campeã de manutenção, excelentes pilotos e bons serviços mundo afora, passou ao proprietário de ônibus candangos. Antes porém saneada por senhor dono de fundo de participações, daqueles a com pouco dinheiro e empresa quebrada fazerem bom negócio.

E para mostrar a cara do novo dono, mudou-se a aparência das aeronaves. Logotipo com destaque para grande estrela, encarnada ou encarnando. Da cor e forma próxima ao símbolo do grande partido regente dos destinos da nação.

Este o qual, governo, permitiu a boa farra das competidoras da falecida, liberando os tempos mínimos para pousos entre aeronaves, “overbooking” até limites onde sabe-se a gula fala mais alto, atrasos imensos com certa tolerância nos procedimentos de segurança; e por aí vai. Com divisão do mercado, em saudável meio-a-meio.

Portanto justa homenagem a quem tanto ajudou e, com isto, além do Cruzeiro do Sul, podemos agora admirar mais estas ruborizadas estrelas no céu da pátria.

Nesse instante, salve, salve, Brasil.

Ruborizadas as estrelas.

Nosso símbolo maior. Justa homenagem.

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