Hermó

Espaço de reflexão Hermógenes de Castro & Mello

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Artigo nº 11 - 12/07/2008

As árvores e as lembranças se irão?

É cruel o que fazemos por aqui, criando espaços para a agricultura e mineração massificada. Sai soja para a China e carne para a Rússia. Madeira para o Japão. Minério para todos. Derrubamos e escavamos sem delongas, sem conversa, sem controles e sem consciência.

Os argumentos a favor são cabais: se o Primeiro Mundo, hoje a China e outros ditos emergentes podem ajustar o meio-ambiente a seus propósitos, nós também temos este direito. A mata é nossa, derrubamos o quanto quisermos. Os macaquinhos e tucanos são lindos, mas precisamos de empregos, superávits e todo o balaio de argumentos os praticantes da politicalha e financeiramente interessados têm no bornal.

Emprego, saco plástico impresso e motocicleta como garantia: é voto certo.

Ecologistas, mormente os de fora que nem votam, só ecoam seu protesto alguns poucos. Não tem voz nem argumento contra o milionário comprador de madeira de Yokohama, o poderoso importador de filés em Moscou ou a cooperativa chinesa precisando engordar milhares, milhões de porcos, frangos e patos...

O rublo deve rolar, dizem, curiosamente os alemães sobre os dinheiros russos, a mostrar independentemente do dano, não podermos cessar. Somos a banda do Titanic, essa no afundar do gigante continuava a tocar, pois era o ignorante argumento. Jamais parar.

Ouço sobre projeto de exploração de minério de níquel no Nordeste. Milhões de toneladas, com cava de 600 metros de profundidade, lagoa de dejetos com 1.700.000 metros quadrados e muita química no processo. Conheço a região, por sinal das mais bonitas, naturalmente mantida pela curiosa forma de plantar-se cacau, já cultura capengante por lá. A necessitar sombra, mantêm-se as árvores; toda região era imensa mata com rasgos modestos para a agropecuária mambembe.

Pequenas propriedades, também diversificação incomum típica daquela região, quase natural reforma agrária. Enfim, por mais de século e meio homem e natureza em certa harmonia.

Surge a poderosa mineradora a oferecer gordos rublos aos vizinhos da área que será estuprada e largada em 20-30 anos, com seus dejetos. Toneladas de níquel extraídas, a permitir rico aço inoxidável, protetores solares e outras aplicações. Os dinheiros em dobro do valor normal da região como forma a criar com a compra dos vizinhos de tal projeto um bolsão de silêncio, afastar os quais chiarem do barulho, pó e péssimas condições “ambientais”.

As árvores da região a ser incorporada pela mineradora são agora de tristeza incomum; antigas e carregadas de recordações. Em dias de chuva, me lembro, parecem criaturas com milhares de olhos úmidos, amargando seu fim próximo nos verdadeiramente tristes trópicos em que agora a nação se materializa.

400 empregos permanentes, mais de 2.000 na montagem do teatro mineral. Irresistível a quem compra, a quem vende e a quem trabalha.

Uma pena, mas somos assim.

A solitária jaqueira: na chuva parece chorar por seu próximo fim.

Os tristes trópicos. Tudo será derrubado para garantirmos empregos e progresso? Não desvendamos outros métodos, estranhamente.

A cultura do cacau, naturalmente harmoniosa. A morada faz parte do conjuto equilibrado.

Se o progresso passa pela eterna destruição, talvez um dia o progresso cesse a destruição. Pois não haverá mais o que destruir.

Comentários

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thomas bussius - 18/10/2007 (09:10)

Os dinheiros. Forma meio bíblica, licença poética. Jesus foi traído por Judas por dinheiros... 40 moedas.

Daniel - 17/10/2007 (16:10)

Os dinheiros?