Hermó

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Artigo nº 1022 - 19/11/2020

O saboroso segredo do senhor advogado

Por Helena Iaconis Sevastopoulus, de Pátras, Grécia

A rotina se instalara na nova vida da Helena.

Conhecera a casa toda e verificara os hábitos do senhor advogado. Homem de rotinas, somente aceitava questões profissionais locais e familiares, para não necessitar ir a Atenas.

Os nomes de quem falava ao celular Helena não conhecia, porém a menção dos assuntos que não o interessavam dizia passaria a um colega mais experiente, mostrava não desejar questões requeressem viagens.

Como era boa cozinheira, procurara saber o que o homem apreciava. Eram pescados e assim mantinha algum contato com o filho, auxiliar do ex-marido em seu pequeno barco.

E com isto veio à tona, como peixes pescados, um dos segredos do seu empregador.

Este pedira a Helena um cozido sua antecessora preparava com maestria, melhor que em qualquer restaurante, quando ainda estavam operando.

Queria kakavia

Porém servido naquilo dá o nome ao prato, o kakavi, aquele caldeirão de três pés, comuns em todo Mediterrâneo europeu.

Todavia feito apenas com aquilo sobrado da rede, após à venda dos peixes maiores. De caramujos do mar a pequenos camarões, filhotes de peixes, mexilhões e ouriços.

Essa era a depreciada refeição do pescador, passada à iguaria, quando provado no passado distante daqueles em terra.

E no piso de sua varanda da silenciosa casa, observando o mar, direto de seu kakavi, com modesta colher de madeira, o senhor advogado sorvia e mastigava daquilo Helena preparara melhor, bem melhor que a antecessora.

Afinal havia sido mulher de pescador.

Kakavi, a panela tripé do Mediterrâneo.

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