Hermó

Espaço de reflexão Hermógenes de Castro & Mello

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Artigo nº 986 - 08/10/2019

Coringa & Bozo

Por Dr. Odorico Leal, de Picos, PI.

O Coringa trata de uma figura de infância traumática, que cresce com a cabeça cheia de caraminholas e, espancado pela vida, vira psicopata niilista.

Nesse empoderamento psicopático, o personagem, à revelia das próprias intenções, acaba recolhido pelo turbilhão de injustiça social da Gotham ao seu redor como uma espécie de símbolo da perversidade louca da sociedade capitalista.

O filme é tão maniqueísta quanto Bacurau - maniqueísmo que não fica barato porque encarna no pai do Batman, Thomas Wayne, que surge como um ricaço canalha de arrogância magnânima.

A dobra do filme reside aí, nessa coincidência entre a falência mental do protagonista e a falência moral da sociedade que transforma Arthur Fleck - involuntariamente - numa figura heroica (aparentemente à esquerda, já que "do lado" dos despossuídos).

Parece ideia fixa, mas você acaba pensando no Bozo, outro doente mental que, colhido por uma revoada de patologias sociais, acaba alçado à condição de mito - também às gargalhadas e em boa parte para surpresa até dele.

O caso é que o Coringa é uma composição carismática de um ator genial - que rege orquestras imaginárias com lindos movimentos de Tai Chi -, ao passo que Bozo é uma figura de movimentos rijos e risada monotônica, mescla impecável de robô e idiota intragável.

A dinâmica de ascensão cega se assemelha, mas cada povo tem o palhaço que merece...

As cores escolhidas para o colete e a camisa, seriam "joke" com os eleitos governantes do país?

Figuras emblemáticas, nos acompanham e divertem (ou assustam) desde a infância...

Pois é...

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